Força-tarefa voltada ao combate à pedofilia resulta em seis suspeitos presos em Fortaleza

17 de Maio de 2018 # # # #

Uma força-tarefa, voltada ao combate à pedofilia, realizada nesta quinta-feira (17) resultou em seis suspeitos presos com envolvimento em crimes de exploração sexual contra crianças e adolescentes no Estado. As prisões aconteceram em Fortaleza e fazem parte da Operação Luz da Infância 2, deflagrada em 24 estados brasileiros e no Distrito Federal. Equipes da Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE) e da Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce) participaram da ação de cumprimento de 16 mandados de busca e apreensão, sendo 15 deles na Capital e um no interior no município de Canindé. Diversos equipamentos eletrônicos com conteúdo pornográfico foram apreendidos.

A operação Luz na Infância 2 é realizada em parceria com a Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) do Brasil e tem o objetivo de reprimir crimes cometidos contra crianças e adolescentes em ambiente virtual. A segunda fase da operação no Ceará contou com a atuação de 81 policiais civis do Departamento de Polícia Especializada (DPE), do Departamento de Inteligência Policial (DIP), da Unidade Tático Operacioanal (UTO) e da Delegacia de Combate à Exploração da Criança e do Adolescente (Dceca) e oito peritos da Coordenadoria de Perícia Criminal (Copec) da Perícia Forense.

Ao todo, seis suspeitos foram presos, incluindo cinco por flagrante delito. As prisões aconteceram nos bairros Castelão, Cidade dos Funcionários, Jardim Guanabara e Varjota. Os homens têm entre 22 e 40 anos. Os presos foram conduzidos à Dceca e autuados no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), nos artigos 241 A, por oferecer, trocar, disponibilizar, transmitir, distribuir, publicar ou divulgar por qualquer meio, inclusive por meio de sistema de informática ou telemático, fotografia, vídeo ou outro registro que contenha cena de sexo explícito ou pornografia envolvendo criança ou adolescente, e no artigo 241 B, por adquirir, possuir ou armazenar, por qualquer meio, fotografia, vídeo ou outra forma de registro que contenha cena de sexo explícito ou pornográfica envolvendo criança ou adolescente.

“Essa operação gerou cinco flagrantes, por posse de material envolvendo exploração infanto-juvenil e compartilhamento. O perfil é bem diversificado. Nessa operação, entre os flagranteados a gente observou que são pessoas que têm certo nível de conhecimento, principalmente em informática. Todos são homens. São estudantes, advogados, turismólogos, pessoas que estão baixando e compartilhando material de pornografia infantil”, disse a delegada Yasmin Ximenes, titular da Delegacia de Combate à Exploração da Criança e do Adolescente (Dceca).

Durante os cumprimentos dos mandados de busca e apreensão nos imóveis alvos da investigação, as equipes apreenderam diversos equipamentos eletrônicos, como notebooks, HDs externos, CDs, CPUs de computador, aparelhos celulares, todos com conteúdo pornográfico armazenado. Todo o material foi encaminhado para a sede da Dceca, em Fortaleza, para serem incluídos aos autos. O material seguirá para o Núcleo de Informática Forense da Copec da Pefoce, onde será analisado.
As investigações que resultaram na operação foram compartilhadas entre os setores de inteligência das Polícias Civis dos Estados e coordenadas pela Senasp/MJSP. Na primeira fase da operação, os dados foram levantados por cerca de seis meses de trabalho investigativo. Desde então, as ações para apurar mais informações e identificar outros suspeitos continuaram. Durante os trabalhos policiais, foram constatados indícios suficientes de autoria e materialidade delitiva para solicitar os mandados de prisão contra os suspeitos.

O coordenador de perícia criminal da Pefoce, Rômulo Lima, falou da importância do trabalho realizado em cima do material apreendido: “São dois pilares, a preservação é um deles, exatamente pra evitar que se apague a prova criminal. O segundo momento é exatamente identificar. Como a gente está falando em informática, a prova, o vestígio não está tão claro, não é fácil de achar. Isso requer todo um trabalho do próprio perito, como equipamentos e softwares pra podermos identificar. Então nesse momento do flagrante, descobre-se, preserva-se, leva-se para a Perícia e nesse segundo momento a gente descobre muito mais prova material”

A primeira fase da Operação Luz na Infância no Ceará foi realizada no dia 20 de outubro de 2017 e resultou nas prisões de dois homens, de 48 e 61 anos, ambos sem antecedentes criminais. Os suspeitos foram conduzidos à Dceca, onde confessaram o download de materiais de pornografia envolvendo crianças e adolescentes e foram autuados em flagrante com base no artigo 241 A, do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Em âmbito nacional, foram presas 112 pessoas que utilizavam equipamentos eletrônicos para produzir, guardar ou compartilhar conteúdos de pedofilia na internet.

“É importante dizer que além dessas seis prisões de hoje, foi coletado um vasto material em todos os alvos, e, com certeza, após a elaboração da perícia dará seguimento a outros inquéritos policiais e até mesmo outras prisões. Vale salientar também que esse trabalho vai se intensificar, de uma forma perene e que outras operações virão e vamos continuar cada vez mais atentos a esse tipo de crime”, disse a delegada Rena Gomes, diretora do Departamento de Polícia Especializada (DPE). A diretora falou ainda do papel fundamental das famílias, na tentativa de prevenir esse tipo de infração: “É importante que os pais estejam sempre atentos. Que observem seus filhos quando esses estiverem na Internet, pra que ocorra um acompanhamento, pra que essas crianças não venham a ser vítimas desse tipo de ato criminoso.”